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Crônicas

 

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Pai Aprendiz

 

Marina e Pedro, minhas duas crianças de 3 anos. Já lhes confessei que, antes de vocês existirem, não sabia se seria um bom pai. O que era ser pai? Eu não sabia. Tantas vezes senti inveja dos meus amigos que tinham pai. Alguns companheiros, outros severos, outros malucos, alguns que brincavam, outros que brigavam, mas que, pelo menos, estavam presentes. Tantas vezes voltei ao meu pai, para mostrar para ele como eu era legal, a nota mais alta da turma, a minha namorada, o resultado do vestibular, o meu emprego; escondendo, é claro, todas as minhas fraquezas e erros. Demorou para que eu compreendesse que ele era meu pai, mas nunca seria O MEU PAI.

 

Até que um dia, conheci sua mãe, nos apaixonamos, nos casamos e nos engravidamos. E nos oito meses de gravidez, aquela barriga não parava de crescer e, com ela, todas as minhas incertezas. No dia 3 de maio de 2006, fui me deitar sabendo apenas que, no dia seguinte, mamãe daria à luz dois bebês: Marina e Pedro. Nos 15 dias no hospital, vivi momentos de emoção. O medo de perder alguém amado. Até então, não sabia o que era isso. Na manhã de uma segunda, tive de aprender. Em casa, aprendi a trocar fraldas, dar banho, pôr para arrotar, fazer vocês dormirem na minha perna, sem poder dormir. Quanto mais vocês cresciam, mais fui aprendendo.

 

Escutei o barulho de helicóptero, para imitar para o Pedro, e um dia ele repetiu: "Tá-tá-tá-tá..". Incentivei a Marina a subir no pufe e pular, até que um dia ela disse: "Agora so-zi-nha, papai". E ela pulou. Deixei ela pular na cama e, tamanha era minha confiança, não vi quando ela caiu de cara no chão. O seu nariz sangrando a minha culpa. Vi Pedro escorregar na banheira, na minha frente, e fazer a sua primeira cicatriz. E não vou negar que nesse dia não senti culpa, mas sim um orgulho danado, porque a cicatriz era igual à minha.

 

Voltei a comemorar um gol do Flamengo. Voltei a apreciar a beleza de uma borboleta, o voo elegante de uma garça. À medida que vocês foram conhecendo os bichos, os objetos, o mundo, tudo foi ganhando um novo sentido para nós. Agora não tem um helicóptero que eu aviste no céu que eu não pense na felicidade do Pedro. Nenhum obstáculo é alto o bastante para a Marina subir e... pular. Aprendi também a dar bronca, castigos, palmadas, para lhes mostrar o que é errado, mesmo sem a certeza de que estou certo. Aguentei vê-los chorar, para tentar ensiná-los a serem felizes. Aprendi tantas músicas para ouvir vocês cantarem. Ensinamos tantas palavras. Lemos tantas histórias, inventamos tantas outras.

 

Dei inúmeras voltas de bicicleta para ampliar seus mundos. Tirei fotos de tudo o que pude, escrevi tantas coisas, para um dia eu e sua mãe lembrarmos, e para vocês saberem como fomos felizes. Agora vocês sabem palavras que não fomos nós que ensinamos, cantam músicas que não conhecemos, têm amigos, programas, criam suas próprias histórias. É, filhos, foram tantas coisas que aprendi para poder lhes ensinar. E por isso não tenho dúvidas de que vocês me fizeram uma pessoa melhor. Antes de vocês, eu não sabia de muita coisa. Agora, são tudo o que eu sei. Beijos-cosquinha na barriga da Marina e abraço-que-amassa no Pedro.


Com amor,
Pai.

 

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